Emblemático atacante fazia seu último gol pela Portuguesa há 65 anos

Considerado um dos melhores pontas da história do futebol brasileiro, Julinho Botelho marcava gol do título do time lusitano

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 05 (AFI) - Há 65 anos, um dos grandes jogadores do futebol brasileiro fazia um gol que valeu título. Pela segunda partida da final do Torneio Rio-São Paulo de 1955, Julinho Botelho abria o placar para a Portuguesa diante do Palmeiras, em jogo que terminaria 2 a 0. O resultado garantiu o segundo título regional da equipe lusitana, que já havia vencido a competição em 1952 – Julinho Botelho participou de ambas as campanhas.

INICIO DA CARREIRA E IDOLATRIA NA LUSA
Nascido no bairro da Penha, em São Paulo, Julinho Botelho começou a jogar futebol com a camisa do Juventus, mas ficou no tradicional clube da Mooca por apenas um ano. Se destacando com sua velocidade, habilidade de liderança ainda bem jovem, foi comprado pela Portuguesa por 50 mil cruzeiros. Nem os torcedores mais otimistas poderiam imaginar que a equipe lusitana acabaria de adquirir um dos maiores pontas do futebol nacional.

Emblemático atacante fazia seu último gol pela Portuguesa há 65 anos
Emblemático atacante fazia seu último gol pela Portuguesa há 65 anos
Não demorou muito para o jovem Julinho Botelho mostrar sua veia artilheira e distribuir gols com a camisa da Portuguesa. Seus dois primeiros gols pelo clube vieram em uma vitória em cima do América-RJ, vencida por 4 a 2. No dia 25 de novembro de 1951, mais uma partida memorável para o atleta –o ponta marcou 4 gols no impressionante placar de 7 a 3 em cima do Corinthians.

Pela Portuguesa, venceu dois Torneios Rio-São Paulo, nos anos de 1952 e 1955. Além dos títulos, terminou sua passagem com 191 jogos e 101 gols feitos.

GLÓRIA NA ITÁLIA E VOLTA AO BRASIL
Em 1955, o ponta resolveu se aventurar no futebol europeu, especificamente na equipe italiana da Fiorentina. Com o clube, Julinho Botelho chegou ao auge como futebolista, sendo considerado o melhor jogador que já passou pela equipe na história. Sob sua liderança dentro do campo, a ‘Viola’ conquistou seu primeiro título – o Campeonato Italiano de 1956-57).

Após três anos atuando na Itália, Julinho resolveu voltar ao Brasil –o destino seria o Palmeiras. Como praticamente uma ‘regra’ em sua carreira, também acabou virando ídolo no alviverde paulista. Fazendo parte da ‘Primeira Academia’ do clube, empilhou títulos: o Campeonato Brasileiro de 1960, o Torneio Rio-São Paulo de 1965 e os Paulistas de 1959 e 1963. Sua passagem pelo time com 80 gols marcados em 269 jogos.

SELEÇÃO BRASILEIRA E DEMONSTRAÇÃO DE CARÁTER
Além de se destacar nos campos, o ‘Flecha Dourada’ também dava um show fora dele. Conhecido por ser uma pessoa honesta e correta, duas histórias de demonstração de caráter se tornaram famosas no mundo futebolístico.

O jogador poderia jogar sua segunda Copa do Mundo após ter disputado a de 1954. Na época, o atleta que era um dos destaques, recusou sua convocação para a competição mundial com a alegação de que não seria justo ele ocupar o lugar de outro atleta que atuava no Brasil –na época, Julinho Botelho ainda jogava na Fiorentina-ITA.

Além de recusar disputar a Copa do Mundo de 1958, também recusou a Copa de 1962, mas por outro motivo. Na véspera da competição, ele sentiu uma lesão no último treino preparatório. O fato foi o suficiente para desistir do torneio, alegando que não seria justo que fosse chamado no lugar de outro jogador que estaria em boas condições físicas. Apesar da insistência da comissão técnica, a atitude foi definitiva.

Outro episódio marcante vivido com a Seleção Brasileira aconteceu em 1959. Em amistoso contra a Inglaterra em um Maracanã lotado, Julinho Botelho entrou como titular no lugar de Garrincha, ídolo máximo da torcida carioca. O resultado foi uma gigantesca vaia de todo o estádio, que logo seria calado com uma atuação excelente do ponta. Com uma assistência e um golaço, as vaias se transformaram em aplausos. Relatos da época indicam que foram os aplausos mais altos da história do Maracanã, sendo ouvidos ‘até hoje’. Julinho Botelho veio a falecer no dia 11 de janeiro de 2003, aos 73 anos.

FICHA TÉCNICA
Portuguesa 2 x 0 Palmeiras - Torneio Rio-São Paulo - Final
Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo;
Data: 5 de junho de 1955;
Árbitro: Mário Vianna (RJ);
Público: 40.000 pagantes;
Gols: Julinho Botelho aos 36' e Ipojucan aos 63'.

Portuguesa: Cabeção; Nena, Floriano, Djalma Santos, Brandãozinho, Zinho, Julinho Botelho, Ipojucan, Aírton, Edmur e Ortega. Técnico: Délio Neves.

Palmeiras: Laércio; Manoelito, Mário, Belmiro, Valdemar Carabina, Gérsio, Renato, Humberto, Nei, Ivan e Rodrigues. Técnico: Cláudio Cardoso.

Natanael Oliveira, especial para a FPF