Em jogo com prática de racismo, América vence Bugre e encaminha acesso

Em jogo com prática de racismo, América vence Bugre e encaminha acesso

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Cabe manifestação de repúdio a um torcedor do Guarani que praticou crime de racismo contra o jornalista Júlio Nascimento, da Rádio Bandeirantes-Campinas, após o encerramento da partida desta sexta-feira no Estádio Brinco de Ouro, na vitória do América Mineiro sobre o Guarani por 1 a 0.

No cumprimento de seu dever profissional enquanto repórter, o profissional foi xingado de 'macaco e negro de merda', mas o covarde desapareceu logo em seguida para não ser flagrado e enquadrado na forma da lei.

CONCEIÇÃO ARRISCOU

Arriscadíssima a estratégia do treinador Felipe Conceição, do América, ao apenas soltar o seu time durante o segundo tempo, no jogo em Campinas.

Por sorte, o time campineiro estava naquela 'inhaca' que lembrava os tempos dos treinadores Vinícius Eutrópio e Roberto Fonseca.

Foi aí que o Coelho, mesmo sem aquela habitual explosão, soube explorar um dos raros momento de desatenção da marcação bugrina para vencer por 1 a 0, na noite desta sexta-feira.

Se para o Guarani a situação é inalterada neste Campeonato Brasileiro da Série B, ao América foi aberta total perspectiva de alcançar vaga de acesso, visto que ultrapassou o Atlético Goianiense nos critérios de desempate.

Para isso, basta uma vitória contra o já rebaixado São Bento, em Belo Horizonte, na última rodada.

Se a meta bugrina era ultrapassar a rival Ponte Preta na classificação, nova chance está reservada quando enfrentar o Londrina, pois só precisa de vitória simples.

APENAS DEZ MINUTOS

Os primeiros dez minutos deixaram a impressão que o Guarani perseguiria a meta adversária e construiria a vantagem.

Se havia predisposição do América em atacar, repensou na estratégia e optou pela cautela com a sinalização ofensiva do Guarani.

Assim, quando foi ao ataque, teve o cuidado de não desguarnecer a defesa.

Diferentemente de sua filosofia de jogo vertical e chegada ao ataque com rapidez, ele optou pelo jogo seguro de troca de passes até com lentidão, permitindo recomposição do Guarani que, na sequência, desacelerou o ritmo, e voltou ao seu estilo de valorização de posse de bola.

Por isso, viu-se um primeiro tempo chocho, sem que os goleiros fossem exigidos.

AMÉRICA AVANÇA

Não bastasse o time do América ser individualmente superior ao Guarani, considere que vários jogadores do time bugrino destoaram.

O meia Rondinelly foi o principal deles, perdendo a maioria das jogadas.

Lucas Crispim realizou a pior partida desde que retornou ao time, após lesão.

Dos atacantes, Davó foi desinteressado. Já Diego Cardoso tem claras limitações, e é questionável a permanência dele.

Afora isso, com a lesão do lateral Lenon aos 27 minutos do primeiro tempo, e sem uma referência prática de substituto, não se pode criticar o treinador Thiago Carpini quando improvisou o volante Felipe Guerra na função, resultando na entrada do meio-campista Pedro Acorsi.

Na prática, pelo menos o atacante Matheusinho, do América, foi bem marcado e não brilhou como em partidas anteriores.

Já o lateral-esquerdo Bidu, que teve nova oportunidade na equipe, mostrou dificuldades na marcação, mas arriscou descidas ao ataque.

Neste cenário, mesmo criando poucas situações de embaraço à defesa bugrina, o América chegou ao gol quando Pedro Acorsi foi dividir bola, que ficou espirrada no interior da área, e após finalização ela sobrou para Vitão, que havia substituído Júnior Viçosa, empurrar à rede aos 34 minutos.

Depois disso a preocupação do América foi sustentar a vantagem, enquanto o Guarani já não tinha forças pra sequer tentar esboçar reação.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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