“A MP 984 é uma libertação”, afirma vice do Flamengo

Para Luiz Eduardo Baptista, o Bap, o novo modelo beneficia os clubes brasileiros

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Para Luiz Eduardo Baptista, o Bap, o novo modelo beneficia os clubes brasileiros

Campinas, SP, 07 (AFI) - O vice-presidente de Relações Externas do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou que a Medida Provisória 984, em vigor desde o mês passado e que alterou as regras das transmissões das partidas de futebol, é uma libertação para os clubes e abre espaço para uma nova realidade. O principal ponto da MP diz respeito ao direito das transmissões das partidas de futebol, que passa a ser do clube mandante da partida e não mais da emissora que tiver acordo com ambas as equipes.

“A MP para o futebol é como se fosse uma libertação de um modelo que vigora no Brasil há 22 anos. Imagine vocês que 22 anos atrás não existia Amazon, Google, Apple, Netflix, Uber. A gente para e pensa, como a gente vivia? Entendo que isso é uma ação absolutamente libertadora, fundamental”, afirmou o dirigente flamenguista durante o webinar Sportainment: o futuro do entretenimento esportivo, realizado na manhã desta quinta-feira (6) pela In Press Oficina.

Para Baptista, o esporte tornou-se entretenimento, exigindo uma nova visão sobre o papel do torcedor nessa relação com os clubes de futebol. “O consumidor não aparece em nenhum parágrafo da lei. Não se fala no indivíduo nem na forma como você consome. Porque 20 anos atrás não havia nada do que nós estamos falando aqui. A tecnologia, para o bem ou para o mal, mudou o formato das relações”, analisou.

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vice-presidente de Relações Externas do Flamengo
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vice-presidente de Relações Externas do Flamengo
O vice-presidente do Flamengo lembrou ainda que a Medida Provisória também altera dispositivos da Lei Pelé e trouxe avanços não só aos clubes, mas também aos atletas. A MP mudou o pagamento do direito de arena aos atletas e reduziu o prazo mínimo de vigência de contratos de trabalho de atletas profissionais de três meses para 30 dias. “A Lei Pelé no Brasil veio corrigir algumas injustiças, porque o jogador era um escravo do clube. No Brasil as coisas são muito 8 ou 80. O jogador deixa de ser escravo e o clube vira barriga de aluguel do atleta”, comparou.

De modo geral, Bap considera a MP positiva, embora reconheça que num primeiro momento trará uma série de desafios a serem superados. “Gera desconforto? gera. Vai detonar o modelo existente? Vai. As coisas vão ser diferentes? Vão. Vai ser simples? Não. Vai ser rápido? Não. Vai ser fácil? Não. Ainda assim é absolutamente fundamental (...) O Brasil precisa escolher se quer ser o protagonista das mudanças ou coadjuvante”, afirmou.

PANDEMIA
Para o dirigente flamenguista, a pandemia do coronavírus apenas acelerou um movimento que estava latente e certamente irá revolucionar o modelo atual do esporte e entretenimento. “A tecnologia vai ser o meio e vai aproximar o mundo inteiro. Quem está na China pode ver um espetáculo brasileiro no seu celular. É uma revolução que não tem retorno. A pandemia foi um acelerador do que já estava aí. É uma mudança na dinâmica de vida, nos modelos de negócios e nas experiências”, disse Bap.

O dirigente afirmou que o Flamengo também não passou ileso pela pandemia. “Nós todos fomos afetados e tivemos que mudar a dinâmica. E não acho que o futebol seja diferente. Envolve muita paixão e foi afetado pela presença física e pela dinâmica que a gente assistia. A gente via futebol a cada 48 a 72 horas. A pandemia de alguma maneira veio para colocar as coisas nos seus devidos lugares”.